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Por que Neymar é craque, e não gênio

Bolívia

04/02/2019 06h00

Sentaram a botina no Neymar. Resultado: uma nova contusão no pé direito. Geoffroy von der Hasselt/AFP

Trombei o menino Ney – e antes que alguém já pense que "a imprensa insiste em chamar o Neymar de menino", é só um apelido que ficou, assim como Maradona é o eterno El Pibe e Fernando Torres é El Niño – em maio do ano passado, no Parque dos Príncipes, para a gravação do Bolívia Talk Show, meu programa de entrevistas no Desimpedidos. O cara foi simpático, solícito, brincou, deu risada e tudo mais. Pé direito operado, meses de molho e corrida contra o tempo pra jogar a Copa. Um momento muito parecido com o atual, mas com uma diferença: será que essa nova contusão aconteceu por uma tentativa de mudança após ter virado meme durante o Mundial da Rússia?

No um contra um, é o melhor do mundo. Quando prende a bola na ponta esquerda, encara o marcador, pedala e vai pra cima, é difícil parar o homem. Gasta seu repertório até o adversário desistir de marcar e partir pra porrada. Eles justificam afirmando que Neymar debocha, dá risadinha, provoca de um jeito que extrapola o futebol e chega ao desrespeito. "Então que provoque, mas aguente as consequências", disseram técnico e jogadores do Strasbourg. Não ter medo e ir pra cima é bom, mas… Ele gosta dessa treta! Tem prazer em ver o marcador babando, com raiva. Quanto mais batem, mais quer driblar, como ele mesmo falou no BTS (dá uma olhada a partir do minuto 2:05 do vídeo abaixo).

O camisa 10 da seleção tem tanto tesão nisso, que muitas vezes prioriza um duelo pessoal ao jogo em si. Tem jogo que ele se preocupa muito em vencer determinado marcador, devolvendo as pancadas com dribles e provocações. Acho que ele se sente na obrigação de ser o cara do time, porque é o único fora de série dessa seleção, ao contrário de outros tempos. Não se omite, se apresenta, mas não pode confundir chamar a responsa com desmoralizar um marcador botinudo ou resolver o jogo sozinho o tempo todo.  Tem vezes que a partida é decidida em uma tabela, um toque rápido, um corta-luz. Saber utilizar com inteligência toda a habilidade e a capacidade que tem pelo time e por ele mesmo: é por isso que, pra mim, ainda está na categoria craque e não gênio, porque bola tem de sobra.

O mundo inteiro criticou pelos pulos, simulações e roladas infinitas no gramado. E parece que ele tentou mudar. Passou a aparecer mais pelo meio, armando jogadas, tomando paulada e ficando em pé. Acho ótimo. Mas nesse setor do campo, tem que saber a hora de soltar a bola rápido, tanto pro jogo fluir como pra evitar o pior. O pior aconteceu, de novo, no mesmo pé, antes de uma competição importante, a Copa América.

Vendo pelo lado bom, é um ótimo momento pro Brasil aprender a não concentrar seu jogo e sua esperança em um só jogador, mesmo que este seja tecnicamente o melhor. Temos outros atacantes em bom momento, como Firmino, Richarlison, Douglas Costa, Jesus voltou a fazer seus golzinhos… Coutinho pela esquerda é uma boa opção. Tem quem peça David Neres e o meia Felipe Anderson também. Se sou o Tite, daria chance pro Vinicius Júnior, pelo menos no segundo tempo.

Sobre o Autor

Jornalista de formação, amante do futebol por paixão e corneteiro por vocação. Apresentador do canal Desimpedidos. Comanda o Bolívia Talk Show.

Sobre o Blog

As opiniões do personagem não refletem necessariamente a opinião do homem por trás da máscara. Mas quase sempre sim.

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